Wednesday, November 22, 2006

loooooooosaaaaaaaah

Será que alguém pode aceitar o fato de ser um perdedor ? Minha digníssima detesta quando eu digo que sou um 'loser' convicto. Acho que minha desistência deixa ela insegura. Mas não dá pra todo mundo ser fodão, rico, celeb, cheio de gatas seminuas e drogas de luxo. Se todos pudessem, nada disso ia valer nada. Como diria Missy Elliott o negócio é ser 'e-x-c-l-u-s-i-v-e'
Eu estou mais do que confortável em minha posição de perdedor. Não tenho grandes talentos, minha aparência perde pontos a cada ano, não consigo terminar nada do que começo e nem mesmo sei fazer um blog direito. Ou seja: loser completo.
Mas essa posição é confortável. Não há expectativas, não espero muito de mim mesmo e até me tornei um pouco mais tolerante com os outros. Ok, bem pouco tolerante mas já é um começo. Minha simpatia por terceiros aumenta à medida que reconheço os perdedores natos que há em todos eles. Por enquanto, não percebem e ainda são capazes de chorar e se lamentar pela injustiça desse mundo que não os recompensa pelo brilhantismo de suas vidas e idéias, pela grandiosidade de suas artes. Não compreendem de forma alguma que o que fazem, dizem, pensam não passa de mediocridade, bem próxima daquilo que criticam e detestam. O artista jamais consegue perceber a insignificância da própria obra. Todos querem ser grandes e brilhantes e admirados mas não querem ter o trabalho que isso envolve (tipo tocar o saxofone 8 horas por dia).
Eu, por exemplo, sou preguiçoso demais. 90% das atividades da vida me entediam mortalmente e eu não suporto passar muito tempo fazendo qualquer coisa. A contemplação inerte e enebriada me agrada muitíssimo mais.
Acontece quando se cresce em um ambiente que gera o maior déficit de atenção já visto em toda uma geração ? Uma geração de perdedores. Soma se a isso a necessidade infantil que temos em aparecer e as tecnologia que nos possibilitam exercer esse fetiche e pronto: uma nação de ególatras frustrados se deprimindo uns aos outros. Prevejo um futuro dominado por emos.
Outro dia um conhecido começou uma frase: "...porque nós, artistas..." e eu já começei a me coçar, fui pegar um gin-tônica pra nem me aborrecer. Na falta de humor eu fabrico um falso pra ficar sereno. Remédios, placebos.
Minha amada diz que eu sou muito pessimista e ela tem toda razão, a coitada. Ela já está ficando pessimista também e eu me sinto culpado e aí sinto culpa por me sentir culpado até que meu cérebro diz: "foda-se, morram todos vocês". E aí fico calmo e mais feliz e um pouco menos cínico e rancoroso. Me torno um perdedor convicto e feliz. Agora só falta uma montanha de dinheiro pra deixar todo esse lixo para trás.
As pobres namoradas e a ilusão das drogas

Mulher de músico sofre. Só se fode, é uma merda. Convivendo com essa raça pude chegar a essa conclusão. Não bastassem todos os ensaios e shows ainda tem a falta de grana e a completa falta de noção da realidade que caracteriza os músicos. Para eles, sua música é "linda", "sucesso" ou então "contestadora", "experimental", "ousada". A música dos outros é sempre "careta", "fraquinha", "mal gravada" ou a variante "mal produzida". O que me lembra que a grande praga comteporânea são os tais produtores. Percebam, o produtor é mais um parasita da arte musical, um que sequer precisa saber tocar um instrumento. Basta um amplo conhecimento sobre a música ou o business, eles dirão. São uns tipos detestáveis e as mulheres dos músicos poderão confirmar isso. Mais do que os próprios músicos, não sabem falar de absolutamente nada além de discos, guitarristas, distorções e "álbuns indispensáveis". São enciclopédias de cultura inútil, que chamam de cultura pop pra disfarçar com alguma sofisticação. Não é a toa que as pobres namoradas e esposas fiquem entediadas. Não tem assunto mais escroto. Entendam, eu gosto de música, gosto de inutilidades, eu até leio encarte de disco, meu Deus. Mas sinceramente não vejo mais muito estímulo em continuar falando sobre essas coisas ad infinitum. É babaquice. É falta do que fazer, falta de humor, falta de noção e respeito com a diversão alheia. Já tentei engatar outras conversas e fui taxado de "cabeça", o que em tempos de boçalidade generalizada virou xingamento dos mais ofensivos. Mas me parece que em nesses tempos de valores trocados, ser ofendido é bom sinal, é provável que você esteja fazendo algo certo. Eu sinto um certo constrangimento entre as pessoas nesse momento, te olham e te acham pretensioso, eis outro palavrão !! Músicos são assim, cheios de pose rebelde e encharcados de moralismo conservador.
O que me leva a pensar nas drogas todas. O consumo de drogas legais ou não nesse meio é tradicionalmente elevado. Mas o oásis prometido por Leary é uma balela. Os drogados de hoje são as pessoas mais chatas, burras, constrangedoras e caretas que eu já conheci. A caretiçe delas consiste exatamente em acreditarem que são fantásticas e que as drogas as transportam para um universo paralelo de inspiração infinita onde tudo finalmente ira explodir em sucesso, fama, dinheiro e pó. Eu mesmo já escrevi coisas fantásticas quando estava louco mas infelizmente o "fantástico" sumiu da equação logo após uma leitura sóbria. Deve ser porque acredita-se demais no conceito do auto-conhecimento tão falado quando se aborda esse tema. Se o auto-conhecimento depende do consumo de drogas então Deus é realmente um grande piadista. Como não acredito no velho senhor, diria que é balela mesmo. Conheço uma pá de gente que afirma ter se descobreto no Santo Daime e posso dizer com tranquilidade que prefiro continuar estranho a mim mesmo. Afirmam com total convicção que vão aos cultos pela experiência religiosa com a planta (ou seria cipó ?) mas não vejo aplicarem nenhum conceito religioso em suas vidas diárias, no mundo longe da planta. Nesse mundo se comportam como neo-hippies chatos e babões, mimados e preguiçosos, incapazes de cumprir as mais simples das tarefas, mesmo que sejam de seu próprio interesse. É muito fácil ser neo-hippie quando alguém banca tua rebeldia não é ? E tem mulher que ainda aguenta !!

Wednesday, November 08, 2006

Prêmio

Uma vez fui parar no Prêmio Multishow de Música Brasileira. Ossos do ofício. Nem em meus piores pesadelos eu poderia imaginar que teria que passar por isso. Horas e mais horas sentado no Teatro Municipal, tentando me distrair com a beleza arquitetônica do lugar. Mas sempre distraído pelas estrelas da nossa música, todas tentando irradiar o máximo de luz possível. Eu sempre achei que a arrogância é algo que só cai bem em raras pessoas. Mas nesses "eventos", como chamam isso hoje em dia, tudo não passa mesmo de uma grande festa de tapinhas nas costas. Todos sorriem, se abraçam e falam mal das roupas das mulheres. Se bem que isso é pratica corrente no mundo inteiro...
Os mais populares são aplaudidos quendo chegam e gritos descontrolados vem dos balcões lá em cima onde fica a plebe que veio ao evento por escolha própria para ver seus ídolos. Que belas cuspidas se pode dar lá de cima. Fiquei com inveja da plebe...
Esses Prêmios são organizados pela própria indústria fonográfica, em uma tentativa de legitimar o monopólio do lixo que produzem nas rádios, TV e mídia em geral. É mais uma prática nesse sentido como é o famoso "disco de ouro", que atualmente já é dado a quem vende 50.000 discos porque hoje isso já é um recorde.
Graças aos céus, eu sobrevivi e consegui fugir da festa que ia ter depois do "prêmio"...fui pra casa pensando no meu Vodka Tônica com abacaxi...
Perguntas

O que pode ser mais intragável do fãs da Legião Urbana ? Uma música do CPM 22 para o Grande Prêmio Brasil ? Ou a Pitty no show da Rita Lee ? E se a Fernanda Young virasse cantora ? Resenha de disco do Caetano ? Ou festival de bandas promovidas pelos mesmas amebas de sempre ? Que tal um DVD ao vivo do Mamonas ? Ou cinéfilos cariocas gozando na semana do Festival ? Lula de novo com a força do povo ? Ou um disco conceitual do My Chemical Romance ? Talvez um debate político no Jobi, com direito a dedos arrancados ? Ou um novo artista promovendo o encontro da bossa nova com drum&bass ? A punheta do Jabor ? Ou a revista semanal com os novos milagres da medicina ?
Um acordo entre o PT e o PMDB ? Um discurso sobre ética do ACM, talvez ? Uma letra de música emo ? O jornalismo cultural brasileiro ? O jornalismo ? Quem sabe um publicitário lamentando a ausência de ética em sua profissão ? Acho que pior que tudo isso só mesmo uma roda de violão...de fãs da Legião Urbana !!!